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Multitarefa funciona? Um estudo de 2026 muda o que a ciência dizia sobre o cérebro

há 2 dias
4 min de leitura

São 7h40 da manhã. Você segura o celular numa mão e a caneca de café na outra, respondendo àquela mensagem de trabalho que "não podia esperar até as 9h". No fundo, o podcast toca no viva-voz. Sua filha pergunta alguma coisa sobre o lanche da escola e você responde "hã, o quê?" pela terceira vez, sem tirar os olhos da tela.

Fazer café e digitar ao mesmo tempo não exige esforço nenhum. Mas assim que uma terceira coisa pede atenção de verdade, tudo trava. Durante décadas, a psicologia cognitiva garantiu que essa trava prova algo simples: multitarefa é ilusão, o cérebro nunca faz duas coisas ao mesmo tempo, só alterna entre elas rápido demais para você perceber. Só que um estudo publicado em junho de 2026 por pesquisadores da Universidade de Georgetown coloca essa certeza em xeque. E a resposta é mais interessante do que "sim" ou "não".

Mulher em perfil com padrão de rede neural iluminado, representando como o cérebro automatiza hábitos para liberar atenção na multitarefa

O gargalo frontal: por que seu cérebro trava quando você faz demais

Boa parte da dificuldade mora numa região chamada córtex pré-frontal, responsável por planejamento, tomada de decisão e controle consciente da atenção. Os pesquisadores chamam essa limitação de "gargalo frontal": enquanto uma tarefa exige processamento consciente, ela ocupa esse sistema executivo inteiro. Não sobra espaço para outra atividade complexa acontecer ao mesmo tempo.

É por isso que quem está aprendendo algo novo (um idioma, um software, uma coreografia) tem dificuldade de conversar ou prestar atenção em qualquer outro estímulo enquanto pratica. O cérebro está ocupado demais construindo o caminho.

O experimento que reorganizou o cérebro de verdade

Para testar os limites desse gargalo, uma equipe liderada por Maximilian Riesenhuber, professor de neurociência e codiretor do Center for Neuroengineering da Universidade de Georgetown, treinou voluntários para identificar diferenças sutis entre imagens de automóveis. O treino aconteceu por um aplicativo em formato de jogo, com mais de 30 mil tentativas ao longo de cinco a dez semanas.

Antes e depois do treinamento, os participantes passaram por ressonância magnética funcional e eletroencefalografia. No início, a tarefa dependia quase inteiramente do córtex pré-frontal. Depois de semanas de prática intensa, ela passou a ser processada, principalmente, pelo córtex temporal, a região ligada à memória e ao reconhecimento de objetos. O cérebro literalmente mudou de circuito para dar conta da mesma tarefa.

Dirigir, digitar, decidir: como a automação libera espaço mental

Quanto mais a tarefa migrava para os circuitos automáticos, melhor os participantes conseguiam fazer uma segunda coisa ao mesmo tempo. Os próprios pesquisadores usam a direção como exemplo: no início, dirigir exige atenção quase total. Depois de anos de prática, grande parte dessa habilidade vira automática, e você consegue conversar, ouvir música ou pensar em outra coisa sem comprometer a condução.

A chave, segundo os autores, não é superar o gargalo pré-frontal. É aprender a contorná-lo, transformando o que antes exigia decisão consciente em rotina automática. É exatamente isso que uma seção de mudança de hábitos bem estruturada tenta fazer: tirar uma ação do campo da força de vontade e colocá-la no campo do automático.

Multitarefa e produtividade: nem toda divisão de atenção é igual

Antes de sair empilhando tarefas, vale um alerta. Uma metanálise de 2025 publicada no International Journal of Cognitive Research in Science, Engineering and Education reuniu vários estudos sobre multitarefa em atividades acadêmicas e encontrou uma associação consistente: dividir a atenção com redes sociais ou aplicativos de mensagens piora o desempenho.

Já uma pesquisa de 2025 publicada na Frontiers in Psychiatry mostrou que nem toda divisão de atenção tem o mesmo efeito. Os autores separaram multitarefas relacionadas à tarefa principal, como buscar o significado de uma palavra enquanto se lê um texto, de interrupções totalmente alheias, como checar uma notificação. O impacto das primeiras é bem menor do que o das segundas. Ou seja: o problema nunca foi fazer duas coisas ao mesmo tempo, e sim misturar uma tarefa que ainda exige o córtex pré-frontal com um estímulo que não tem nada a ver com ela.

Passo a passo prático para usar essa descoberta esta semana

  1. Separe, por escrito, o que já é automático para você (escovar os dentes, dirigir até o trabalho) do que ainda exige decisão consciente (responder e-mails, planejar o dia). Só o segundo grupo merece a sua atenção total.

  2. Antes de abrir qualquer aplicativo pela manhã, monte seu Filtro de Prioridades e Urgências: decida o que hoje realmente precisa do seu córtex pré-frontal e o que pode esperar.

  3. Escolha uma única habilidade por vez para automatizar, nunca cinco ao mesmo tempo. Repita a mesma ação, no mesmo contexto, por pelo menos cinco semanas: foi esse o tempo que o estudo de Georgetown levou para mostrar mudança real no cérebro.

  4. Durante blocos de foco, separe interrupções que ajudam a tarefa (uma pesquisa rápida sobre o próprio assunto) das que são só ruído (notificação, rede social) e desligue as segundas.

  5. Use o Inventário de conquistas e aprendizados para registrar, semana a semana, o que já virou automático. Ver o progresso reforça o hábito e mostra que o esforço consciente de hoje vira piloto automático amanhã.

O que fazer com essa descoberta, na prática

Nenhuma técnica de produtividade troca o tempo que o cérebro leva para automatizar um hábito, mas dá para parar de gastar energia decidindo o óbvio todos os dias. É para isso que existe a seção de criação e mudança de hábitos do Champion Plann: um espaço para registrar qual ação você está tirando do campo da força de vontade e colocando no automático, semana após semana, até que ela vire rotina de verdade. Junto com o Filtro de Prioridades e Urgências, ela ajuda a decidir, de forma consciente, o que hoje merece o seu córtex pré-frontal e o que já pode rodar sozinho. Conheça o Champion Plann e escolha a cor que combina com a sua rotina.

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